
Nós, mulheres da periferia reforça importância do trabalho em rede na América Latina
Por Bianca Pedrina, Nós, mulheres da periferia
Atuar no ecossistema de jornalismo com o nome que carregamos — “Nós, mulheres da periferia” — é, ao mesmo tempo, desafiador e inspirador. Pode ser pesado, considerando que somos múltiplas e perseguimos como meta abarcar a totalidade do que representamos.
Como narrar histórias, zelar e refletir sobre memórias? Nestes 10 anos de existência do Nós, essas inquietações têm sido respondidas pela escuta ativa das nossas dores, angústias e conquistas.
Validar se estamos comunicando da maneira que acreditamos requer mais do que palavras: exige ouvidos atentos. Esse trabalho não é feito apenas por quem fundou o Nós, mas também por quem dá razão para nossa existência: mulheres negras e periféricas.
Esta parcela da sociedade circula em um mundo que a julga, a culpabiliza e a explora. E, ainda assim, encontra fôlego para seguir. A dor pode forjá-la, mas nunca definí-la. A missão de trazer narrativas plurais e diversas só é possível com a força da comunidade, do trabalho em rede com outras mulheres e com nossos pares comprometidos em fazer jornalismo de qualidade. Sim, fazemos jornalismo. Mesmo que tentem nos encaixar em outros nichos para nos afastar dessa ferramenta essencial de comunicação e informação.
Reconhecer outros meios de comunicação que também narram vidas historicamente invisibilizadas e enfrentam desafios semelhantes reforça que não estamos sós. Nosso compromisso é construir um ecossistema de informação que promova a equidade e desafie estruturas de poder. Como Nós, mulheres da periferia, acreditamos que só seremos plurais e diversas se estivermos conectadas, aprendendo umas com as outras, compartilhando nossas dores e potencializando nossas conquistas. Este é o caminho para que o jornalismo seja, de fato, uma ferramenta de transformação social.
Esse olhar ampliado foi fortalecido no encontro “Restaurando ecossistemas informacionais”, realizado no Chile, em novembro de 2024, pela organização The Engine Room. Durante dias ricos de trocas, aprendemos com organizações como Baudó/Agência Pública e Mutante (Colômbia), Vita Activa e LatFem (Argentina), Projeto Lava e Alharaca (El Salvador), Quid (Brasil), Sembramídia (República Dominicana), Social Tic e La Sandía Digital (México), Ella Cuenta, Mullu TV e Rádio Ambulante (Equador).
A generosidade de cada organização ao compartilhar experiências, desafios e aprendizados nos reafirmou como complementares em nossas narrativas e em nossa força coletiva.
Esse encontro, repleto de afeto e reflexões, nos trouxe fôlego para seguir a jornada. Ele reafirmou que o futuro do jornalismo é coletivo. É com colaboração, aprendizado e coragem que seguimos desafiando estruturas e narrando as histórias de quem ainda é invisibilizada.